Olá, confeccionista!
Hoje o assunto é urgente e mexe diretamente com o caixa da sua empresa. Se você achou que a concorrência com as gigantes asiáticas estava controlada após a implementação da “taxa das blusinhas” em agosto de 2024, preciso te dar um choque de realidade: o jogo pode virar novamente contra nós.
Existe a possível retirada da tributação de remessas internacionais de até US$50, e os dados são alarmantes. Existe um projeto em tramitação na Câmara dos Deputados para zerar novamente essa alíquota. E se isso acontecer, a tempestade perfeita vai se formar sobre o nosso setor.
O que os números nos dizem (e o que eles escondem)
Quando a taxa de 20% foi implementada, o objetivo era claro: buscar um mínimo de isonomia tributária. E os números mostram que a medida teve efeito. Em 2024, o número de encomendas internacionais caiu 11% (de 209,58 milhões para 187,12 milhões) e a arrecadação cresceu 40,7%.
Mas preste muita atenção neste detalhe: a taxa não inviabilizou o canal internacional. As gigantes asiáticas continuam vendendo muito. O que a taxa fez foi apenas colocar um pequeno freio em uma concorrência que era (e ainda é) brutalmente desleal.
A Costurando Sucesso é fortemente contra a retirada da taxa, e o motivo é simples: antes da cobrança, produtos importados chegavam ao Brasil com uma carga tributária muito menor do que a suportada por quem produz aqui. É a velha história de lutar com as mãos amarradas nas costas.
Quem será o primeiro a sangrar se a taxa cair?
Se a isenção voltar, o impacto não será igual para todos. As mais vulneráveis serão as confecções que disputam o mercado de massa, focadas em volume, preço e básicos padronizados (como básicos femininos, moda casual e acessórios). A compressão de margens (você não vai conseguir repassar todos os custos), perda de volume de vendas e pressão sobre o varejo formal vão dificultar bastante a vida do confeccionista.
Estamos falando de um risco direto para uma cadeia que fatura mais de R$200 bilhões por ano e é o segundo maior empregador da indústria de transformação no Brasil, perdendo apenas para o setor de alimentos. Não é apenas sobre “blusinhas”, é sobre os empregos de 1,3 milhão de trabalhadores formais.
A verdadeira solução não é apenas reclamar
Nós, como empresários, não podemos depender apenas de decisões políticas, ainda mais vivendo em um país como o Brasil. A própria nota das entidades reconhece que a solução estrutural não é apenas taxar o importado, mas reduzir o “Custo Brasil”.
Como não temos o poder de mudar a carga tributária interna com uma canetada, precisamos olhar para dentro de casa. Se a taxa cair, a guerra de preços vai se intensificar. E se você entrar nessa guerra, você vai perder.
Então, como se blindar?
- Redução de desperdícios: Cada centavo conta. Sua produção precisa ser enxuta.
- Ganho de produtividade: Fazer mais, melhor e em menos tempo.
- Encurtamento do ciclo de desenvolvimento: Ser rápido para responder às tendências antes que o contêiner da Ásia chegue.
- Fortalecimento de marca: Quem tem marca forte, design autoral e posicionamento premium sofre muito menos com a concorrência por preço.
- Inteligência comercial: Produzir o que o cliente quer comprar, não o que você acha que ele quer.
A possível retirada da taxa das blusinhas é um lembrete duro de que o mercado não perdoa quem fica parado. Você não pode controlar o que acontece em Brasília, mas tem controle total sobre a eficiência da sua fábrica e a força da sua marca.
Aqui na Costurando Sucesso, e especialmente dentro do nosso Costurando Sucesso Club, nós batemos nessa tecla todos os dias. Treinamentos como o Power Produção (planejamento de produção), CS Ideias (marketing) e o Sniper Comercial (engenharia comercial) não são apenas cursos: são escudos contra essas oscilações de mercado.
Se a taxa cair, vence quem for mais rápido, mais assertivo e menos dependente de preço. A pergunta que deixo para você hoje é: se a isenção voltar amanhã, sua confecção sobrevive ao próximo semestre?
Pense nisso. E aja rápido.
Um abraço,
Eduardo Cristian
Fundador Costurando Sucesso
